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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Migração setorizante na elipse

Extra! Extra!
Migração de sócios sendo preparada.
Regras de setorização a definir.
Tu, adimplente com o condomínio, fica ligado: logo, logo as definições estarão definidas, após análises de todo tipo pelas comissões das comissões e uma profunda pesquisa (estilo IBGE) junto a cada sócio individualmente considerado como indivíduo, e daí receberás uma comunicação formal intensiva antes de quaisquer iniciativas que de futuro vierem a ser postas em andamento.
Testes pra migração setorizante (ou setorização migratória) dos sócios na elipse do novo Beira-Rio já estão em andamento.
O bolo será repartido da melhor maneira possível entre todos, de modess que ninguém ficará salivando debalde. Ninguém ficará na mão ou de pé, ninguém precisará sentar no colo de ninguém. Todo mundo realocado numa boa!
O sujeito é dono de perpétua? Pois assim permaneça (nem poderia deixar de sê-lo), nada mudará pra ele (salvante o ângulo de visão). Se é locatário? Locatário continuará!
Os demais poderão optar pelo alojamento atrás das balizas, sem lugar marcado, ou pela migração a uma das duas áreas de meio-campo da elipse, de acordo com equações compatíveis com o Teorema de Dandelim.


Sabor de aventura...

EM TEMPO: Toda especulação (do latim speculatiōne-, "observação; espionagem") — seja pura ou impura, oficiosa ou não —  é inoficial, enquanto tudo o que é oficial deixa de ser especulado.

P.S.: Ainda inexiste pronunciamento oficial ou extra-oficial sobre a aceitação do tal contrato de risco com o Imperadô Adriano Lingüeta, mas tá supostamente rolando nas ondas do rádio, sessão da tarde desta segunda-feira (Nigéria espremendo o limão Taiti), que o loco é do Inter. (Como recém tasquei este posto, nem inventem de quererem que agora eu mande um novo sobre o assunto — vou esperar a apresentação desse reforço de peso que a dupla Dungo & Paichão avalizou.)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Gramado

Sim, é a cara Capital das Hortênsias, onde recentemente passei um fíndi a dois, com direito a suíte com hidromassagem e tudo mais. Mas não é sobre isso que versa este posto, até porque fugiria da temática do blogue.
O título monovocabular se refere ao palco do espetáculo maior chamado Futebol, i.e. ao RELVADO (como dizem os portugas). É pra onde todas as atenções se voltam, o tapete mágico onde transcorre a trama ora tediosa ou brochante, ora dramática ou eletrizante. Dele depende a inspiração e o desempenho dos atores e também das cavalgaduras. Mas esse palco é como um belo jardim, não se cria nem se mantém ao natural e tampouco com amadorismo. É preciso engenho e saber-fazer (savoir-faire, know-how).
Mas chega de firula. O tema é a RELVA do novo Beira-Rio, que está prestes a ser semeado e plantado. Longe de ser um capim ou pasto qualquer, a gramínea escolhida apresenta qualidades excepcionais e crescerá sobre um terreno elaborado com base numa tecnologia de ponta.
Na natureza selvagem
Pra nos esclarecer alguns pormenores a respeito, entrevistamos ninguém menos que o pesquisador-chefe do Laboratório de Graminística Aplicada da Faculdade de Agronomia e Jardinagem da renomada Humboldt Universität, Berlin, Prof. Dr. Günter Grass, que presta assessoria a empresas especializadas em cultivo de gramados esportivos na Europa e no resto do mundo.

Henze Saci:Herr Professor, seus estudos elevaram a excelência dos gramados nos principais estádios de futebol...
Prof. Dr. Günter Grass: — E também nos estádios de tênis e campos de golfe.
HS: — Sim, onde quer que uma grama especial faça diferença. Mas no caso do futebol, o padrão exigido pela FIFA obriga os clubes a investirem alto em seus gramados...  
GG: — Não só a FIFA e a UEFA, também as redes de televisão e os próprios clubes. Em parte pelo fator visual, e a estética é importante tanto na tela como ‘in loco’, e em parte por questões técnicas, no sentido de otimizarem o desempenho dos atletas e evitar-lhes lesões ou fadiga excessiva.
HS: — Qual o diferencial dessa grama? Podemos chamá-la de supergrama?
GG: — Supergrama talvez seja um termo exagerado, mas pode-se dizer que está pras gramas comuns assim como estas estão pro capim.
HS: —Ahã, e no que ela é melhor que as gramas comuns ou o capim?
GG: — Veja bem, a ‘supergrama’, como queira, é fruto dum contínuo aperfeiçoamento, de modo a adaptar-se perfeitamente aos mais diversos microclimas, suportar intempéries, manter-se no nível desejado, etc.
HS: — Como assim, “manter-se no nível desejado”? 
GG: — Ela tem de crescer o bastante, nem mais nem menos. Se cresce muito rápido, há a necessidade de que seja aparada com muita freqüência, e isso prejudica a sua durabilidade, além de ser inconveniente; se cresce de menos, pior ainda, o solo começa a aparecer e a erodir.
Prof. Dr. Günter Grass em pesquisa-de-campo
HS: — Ou seja, num caso vira pasto ou capinzal; no outro, fica parecendo uma plantação de batatas. 
GG: — Exato. Ademais, é desejável que cresça uniformemente. 
HS: — É uma grama transgênica?
GG: — Rã-rãmmm! O adjetivo “transgênico” está impregnado duma conotação meio pejorativa. Em todo caso, é inadequado à grama esportiva, pois ela não é modificada geneticamente, no sentido estrito do termo. Ela advém do cultivo experimental e da miscigenação controlada de certas variedades.
HS: — É um meio-termo?
GG: — Veja bem, é um meio-termo no sentido de reunir as qualidades da grama natural e da sintética, metaforicamente falando, um verdadeiro tapetão.
HS: — E ela requer o uso de chuteiras especiais?
GG: — De modo algum. No caso, requer apenas um terreno específico, plano, uniforme, dotado tanto de irrigação quanto de drenagem adequadas.
HS: — A drenagem será a vácuo, secará até o suor dos uniformes durante as partidas. Mas falando em terreno, o do Estádio Beira-Rio, que, como o Sr. sabe, está sendo reformado em função da Copa do Mundo, enfim, os elementos desse terreno, com camadas de brita e areia, foram enviados pra análise nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. Na camada arenosa inclui ainda fibras elásticas de papoula... Não é exagero, já que o relvado do Beira-Rio sempre se notabilizou por ser uns dos melhores do Brasil, tendo inclusive sido eleito mais duma vez como o melhor de todos em enquete feita junto aos times da Séria A? 
GG: — De jeito nenhum, porque tal substrato será permanente, dele dependendo que as sementes brotem e as mudas vinguem...
HS: — Partes das sementes e mudas é importada, do tipo bermuda, mais especificamente da marca Tiefgrand®, tida como inédita no Brasil (a qual será reforçada com a Lolium Perenne, vulgo azevém ou erva-castelhana, em função do inverno). O que o Sr. acha, vale a pena?
O Senhor é meu pastor, e eu quero pastar.
GG: — Ô se vale! Boa escolha, pois se trata duma variedade híbrida que foi desenvolvida na Universidade da Geórgia, a qual modéstia à parte sempre se vale de meus estudos e opiniões. Ela cresce bem, mesmo com pouco sol, é resistente ao frio e ao calor, densa e de tamanho médio, orientada verticalmente, de cor verde-escura e boa luminosidade (quer sob luz artificial, quer sob natural), viceja com pouco fertilizante e mesmo com pouca água, não é muito apreciada por gafanhotos e outras pragas...
HS: — Mas é comestível?
GG: — Perfeitamente, muito saborosa; lembra o radicchio (vulgo piçacam). 
HS: — E os quero-queros, ave-símbolo do Rio Grande do Sul, conhecida como “Sentinela dos Pampas” e parte integrante do espetáculo ludopédico no Beira-Rio, poderá habitar o novo gramado? 
GG: — Nem os jogadores e muito menos os quero-queros terão de se reabituar ao relvado.
HS: —  O Senhor pretende vir à Copa do Mundo?
GG: — Sim, estou muito interessado em conhecer as belezas naturais desse imenso país.
HS: — Pois venha à Porto Alegre, que não se arrependerá.
GG: — Sem dúvida.
HS: — Mais alguma informação que o Sr. gostaria de acrescentar.
GG: — Hã, deixe-me ver... Sim, sugiro que, na relva em apreço, imiscuam uma variedade compatível do trevo-de-quatro-folhas, a fim de proporcionar um visual diferenciado e trazer boa-sorte ao time da casa. E também que toquem música erudita à beira do gramado; Mozart por exemplo faz um bem danado às plantas.
Bucolismo
HS: — Transmitirei o seu alvitre ao nosso Diretor de Patrimônio. Muito obrigado pela privilegiada entrevista.
GG: — Não tem de quê, a satisfação foi minha. Uma ótima reforma pra vocês e cada vez mais sucesso.
HS: — Mais uma vez obrigado.
GG: — De nada.
HS:Auf Wiedersehen!
GG:Auf Wiedersehen!




BENZADEUS! (Le Ruque-Raque Blogue & The Black Tape Project)