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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Fim da Era Dungo

É isso aí, gurizada, foi-se o Dungo, com Paichão de arrasto. A situação ficou insustentável após a quarta derrotada consecutiva e uma campanha pífia. Acho Aposto que a decisão até já estava tomada antes da rodada de ontem. Isento-me de fazer qualquer avaliação desses quase dez meses, até porque não estou com saco nem tempo. Qual Falcão, logrou levantar o caneco do Gauchonga. De ídolo agora pra se arriscar na empresa que virou o Inter só restou o funcionário Clemer. E Dungo repete ainda a sina do véio Fossa, que foi pra rua após uma goleada pro Vashquin no Rio, à época treinado pelo Sapo Roth, que "casualmente" viria a ser o nosso próximo ténico. Eis que agora, acabo de sabê-lo, aventam justo quem pra suceder Dungo? Apesar da tentação pela coerência lógica e correspondência histórica, não é o Dorivalium, que ontem conseguiu às nossas custas tirar sua equipa da zona dos degoláveis. Mas por aí: coincidentemente de novo, Super Sapo Roth! E o Abelão? Elementar: Luídi da Rodô já disse que o Inter não joga pra torcida  só faltou dizer pra quem então! Portanto, e com todas as cagadas que têm sido feitas por ele e sua trupe no futebol colorado, ninguém se admirará caso a escolha seja desse quilate. Decerto também estão movidos pelo "pensamento mágico" (do qual o Ciffo sempre fala), repetindo a fórmula do errado que uma vez deu certo: agora sim, vamos ser campeões da Cobra.
Como diz o lugar-comum: seria cômico, não sesse trágico. Na real, é tragicômico.
Nota oficial do Inter e agradecimento dunguiano ("Dignity, always dignity! ").
E não sabia que o cara tinha um bareco: Bardunga.
E agora, Colorado?

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Ordem no Galinheiro

Salvo engano ou exagero, a notícia do Inter considerada mais digna de nota nesses dias de ressaca que se sucederam à conquista do Gauchonga foi fornecida pelo ténico Dungo. Trata-se de seu descontentamento em relação ao vídeo dos "bastidores da conquista" (inserido à pedido do Djamarra no posto anterior), onde ele, agradecendo ao círculo de jogadores no vestiário do Centenário, faz referência ao nosso Estado como o "galinheiro" no qual é preciso pôr ordem primeiro, e onde se vê a seguir o capitão Dalessandro em bom portunhol discursar e fazer mea culpa sem calção (só com a comprida camisa de jogo); pra fechar, um fade out nas primeiras palavras do Pai Nosso, rezado em uníssono pelos presentes. Nada de mais, a meu ver — apenas um daqueles videozinhos que a assessoria de imprensa costuma divulgar. 
Mas Dungo se manifestou diferentemente: considerou-o uma invasão de privacidade, ao que a dita assessoria tornou-o "Privado" no Youtube, isto é, bloqueou o acesso pelo público. Nisso, quase todo mundo já tinha assistido. Mas foi daí que o vídeo despertou mais interesse. Exagerou o Dungo? Errou a assessoria? Pra mim, nem uma coisa nem outra. Achei até hilário o ocorrido. De certa forma, concordo com o Dungo: aquela falação era coisa interna, momento deles; o formato dos "bastidores" deveria ter sido outro. Quanto à metáfora do "galinheiro", eufemismo pra "puteiro", é isso aí mesmo: requer ordem, autoridade, alguém que mande e seja respeitado, que não fique cheio de dedos com as galinhas, vestido de apicultor, com medo de levar bicada. 
Aliás, é bem isso o que Dungo tem feito desde sua chegada no Inter: botar ordem no galinheiro. Pelo visto, fechou e mobilizou o grupo, formou um núcleo focado em ganhar jogos e títulos. Quem não se enquadra nem dá resposta é colocado em banho-maria ou escanteado. Ao mesmo tempo, inclusive após o título do Estadual, ele vem insistindo com a Direção sobre a necessidade de reforços pontuais, com qualidade pra chegar e jogar de titular, e que tenham o seu aval. Porque só na base da motivação não se vai muito longe. Tampouco um grupo inchado ajuda — pelo contrário, só serve pra dar mais trabalho e sangrar os cofres. Temos muitos jogos e adversários fortes pela frente. O Brasa começa em seguida, um campeonato tanto longo quanto complicado; não dá pra esperar o returno e daí tomar providência: tem de arrancar bem. Sem falar que há a CoBra e, em caso de desclassificação precoce, a Shula. E, se participamos duma competição, é com vistas de levantar o caneco.

sábado, 13 de abril de 2013

Mabóbolo e os Zindunga

O apelido Dunga pegou de tal modo à pessoa, ao profissional e ao personagem de nosso técnico, que não muitos conhecem-lhe o nome e talvez ninguém dispense chamá-lo assim  nem ele próprio. Diz a lenda que o autor foi um tio dele, de nome Cláudio, em virtude de sua baixa estatura e, provavelmente, por causa das orelhas de abano. Pela descrição da Disney, o caçula dos anões (Dopey no original), fora as orelhas salientes e o fato de ser o mais popular, não tem nada a ver com o cara: é mudinho (ok, Dungo não é de muita conversa), alvo de bullying (nem tentem) e brincalhão (o nosso técnico pode ser engraçado, mas não brinca em serviço). "Ele não é estúpido, mas simplesmente age como uma criança ou um cão" (leia a ficha e descrição completa aqui opa, um cão!
"Não é fácil ser esse Dunga"
Mas por que a Disney batizou o Dopey (diminutivo de dopy) de Dunga? Os significados não batem, confiram aí. Sim, o verbete dunga está dicionarizado. Curiosamente, as acepções em português têm a ver com o cara. E a etimologia de dunga? Vem do quicongo (língua banta falada em Angola) ndunga. Segundo a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, de Nei Lopes:

DUNGA [1]. Denominação dada outrora, pelos negros, no Brasil, a um homem importante, um chefe, um maioral. Do quicongo ndunga, "pessoa de grande porte". Entre os Bacongos de Angola, o termo ndunga designa cada um dos zindunga, homens pertencentes a uma importante sociedade secreta. 
DUNGA [2]. O mesmo que umbigada, traço distintivo de várias danças rurais afro-brasileiras.
Mabóbolo, o chefe dos Zindunga (ou Bakama)
Fiquemos com a acepção principal: parece referir-se ao homem e ao seus comandados. Dunga sempre teve ascendência, é um líder nato, detecta de longe os mínimos indícios de trairagem e falta de comprometimento no grupo, o qual consolida de modo a fechá-lo e defendê-lo contra interferências, intrigas e deslealdades. Daí ser pouco tolerante às malícias da imprensa, com a qual goza de má-fama. Paradoxalmente, é essa "fama de mal" que dá ibope, então a imprensa nem pode reclamar: fatura até levando nos dedos. E o ídolo colorado sabe que, ainda mais por estar na berlinda como técnico do Inter, qualquer fato ou factóide que puder ser usado contra ele assim o será (o objetivo é ver a sua e a nossa caveira e tripudiar em cima). Porém, nem sempre bate de frente com esse leviatã encabeçado pela RéBi$, tem as suas manhas também. E precisa ainda lidar com os descritérios, implicâncias e exibicionismos da arbitragem.
Presença de espírito

segunda-feira, 4 de março de 2013

Dungo e os Bastidores da Arapuca



Dungo durante a decisão contra o Esportivo (3/3/13)


Todos conhecemos o temperamento de Dungo como “pessoa humana” e profissional: NITROGLICERINA PURA!

Essa característica rendeu e tem rendido bons momentos desde os tempos de jogador, com uma passagem memorável pelo Jubilo Iwata antes de vir encerrar a carreira no clube em que se criou (com direito àquele gol salvador), e mais recentemente como comandante-em-chefe da $elecinha, papel que ora exerce na Academia do Povo. O fato é que suas atitudes algo “histriônicas” (em gestos e palavras) constituem um prato-cheio, um show à parte.

Os alvos por excelência de seus esporros, gesticulações, indiretas e resmungos são a arbitragem e a mídia: quando não sobra pra uma, sobra pra outra. A primeira, vaidosamente norteada pelo princípio do Gumex, toma por afronta qualquer questionamento. A segunda, regulada pela hipocrisia, fica dividida entre dar corda e fazer média. As predisposições tomam forma a cada episódio, cuja dialética tem como síntese o ibope.

Dura lex sed lex, no cabelo só Gumex
Dito isso, passemos ao mais recente ocorrido: a expulsão de Dungo na decisão contra o Esportivo.
Na partida anterior, contra o Brêmio também no Centenário, a arbitragem já havia computado alguns atritos com Dungo. Durante a semana, a  coisa foi sendo elaborada de cada lado. Dungo sabia que a desforra contra ele viria já no próximo confronto. De fato, os Homens de Preto (ou melhor: de Lumicolor) dariam o troco. Em meio aos treinos, Dungo matutava sobre a Terceira Lei de Newton. E os árbitros tinham bastante tempo pra mexer os seus pauzinhos e mancomunar.

Em vista disso, o técnico então acionou seus informantes, ou melhor, suas fontes a fim de se inteirar sobre o que o esperava: o Seguro morreu de velho (cantou Jackson do Pandeiro e depois Tiririca), dona Prudência foi ao seu enterro, e o Desconfiado continua vivo.

Início da noite de sexta-feira, 1º de março, Dia Internacional da Proteção Civil: concentrado com o time em Caxias desde a véspera, Dungo degusta um expresso-duplo puro (i.e. sem açúcar nem adoçante, que de doce já basta a vida e adoçante é coisa de fresco) — hábito que aliás nunca lhe tirou o sono, pelo contrário — quando o seu telemóvel sinaliza uma mensagem. Aperta o aparelho como a uma botoeira de comando, firma as vistas e lê: “Tua cama tá feita”. A princípio, acha meio estranho, pois as camareiras não costumam mandar mensagens aos hóspedes. Esboça um sorriso enquanto ergue a “xicrinha” pra sorver mais um gole, no que é surpreendido por um gosto de alcatrão com lixívia, como se o café estivesse envenenado: de chofre o olhar fica estático, olhando pro nada, a cara se crispa em ricto de asco, e então, a um só tempo, a mão bate a xícara no pires e a boca cospe o café na mesa. "Filhos-duma-égua, fizeram uma reunião pra mi fudê!" Em seguida, pondo-se a mascar "no seco" um punhado de pastilhas de Magnésia Bisurada, irrompe da cadeira e dispara rumo às escadas; já antes de chegar à porta do quarto, conclui que sua expulsão está selada.

Acorda bem cedo de sonhos intranquilos e, sem conferir se está metamorfoseado em monstruoso inseto, desce pro desjejum, topando no caminho com o comentarista e colunista esportivo da Rébis conhecido como Guerrinha, a quem conta sobre a reunião que os ilibados árbitros se dignaram a fazer pra ferrá-lo, i.e. expulsá-lo da partida no dia seguinte.
Morta a charada, Dungo se pilha ainda mais pra decisão. Sua disposição de espírito é a de sempre: ser ele mesmo, autêntico, custe o que custar e doa a quem doer, jamais aceitando cavilações de tipos quaisquer.

Finalmente chega a hora da verdade. Começa a peleia. Tudo parece ocorrer mais ou menos dentro da normalidade. O adversário, comandado pelo amigo Winck, começa tentando truncar o jogo diante da "superioridade técnica" do Inter. Quase aos 30', o craque Furlã abre o placar com um canhotaço de longa distância. Vem o intervalo, os jogadores se mobilizam na saída do túnel antes de retornar pra etapa final; Dungo parece impaciente. A bola recomeça a rolar.

Um empate leva pros pênaltis. A agitação vai tomando conta do técnico colorado. Aos 22', o uruguaio dos loiros cachos entiarados computa outro gol de tirar o boné. Festa do time e da torcida colorada. Nem que a vaca tossisse o Tivo conseguiria tirar do Inter a vaga pra final. Mas há outras coisas em jogo: e.g. o tratamento dispensado pelo juiz aos nossos jogadores quando o adversário perde a esportiva. Dungo vai-se alterando, profere lisonjas, gesticula, careteia, ao passo que o 4º árbitro e o bandeirinha lhe lançam olhares cada vez mais marotos.

As câmeras e microfones estão a postos. A entidade começa a se manifestar inexoravelmente, tomam corpo as invectivas de Dungo contra Deus e o Diabo, a mãe do Badanha e os ascendentes de Matusalém até a 5ª geração. O instrumental midiático deixa em segundo plano o jogo e foca a "conversa". Tudo acontece muito rápido, faz menos de 5 minutos que saiu o gol. Nisso o Sr. Francisco Silva Neto reprime uma manifestação do nosso valoroso lateral-esquerdo Fabrício (codinome "Chupa-cabra") — eis o estopim. Dungo não mais se contém e berra aquela frase com vocação pra manchete que ressoou sua goela pelo saguão do hotel afora. Ato contínuo, o excelentíssimo juiz executa o que conluiara com seus pares (aos 27' do 2º tempo). Pronto, tudo está consumado.

Aos brados de "Pergunta pro Guerrinha! Pergunta pro Guerrinha!" no microfone da Rébis, Dungo se retira. Logo a seguir, a câmera o mostra espiando o jogo pela basculante como um biscateiro expiando a manguaça na delegacia (qualquer semelhança com o vice de futebol Marcelo Medeiros terá sido mera coincidência). De fato, está na sala do Jecrim, a única disponível com visão privilegiada pro gramado.

Dungo no Jecrim espiando o jogo com um desconhecido (o vice?)
Dungo no Jecrim após ser expulso (visão frontal)
Próximo capítulo: Dungo volta à cidade natal pra disputar título contra o Saint Louis.


Em tempo (antes que me perguntem qual a minha fonte): Eu, Henze Saci I e único, declaro que me reservo o direito de preservar minha fonte.

BENZADEUS! (Le Ruque-Raque Blogue & The Black Tape Project)