— Dove sono tutti?! (Cadê todo mundo?!)
▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒ SÊMUS LA REXISTÂNCIA ▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒▒ S.C. Internacional ● Inter ● Colorado ● Academia do Povo ● Rolo-Compressor ● Celeiro de Ases ● Orgulho do Brasil ● Peão de Tudo ● Clube do Povo ● Interzão
C erto dia de 1950, o físico italiano Enrico Fermi estava tomando um cafezinho pós-prandial com três colegas (dois americanos e um húngaro/marciano) em Los Alamos e perguntou de supetão:
— Dove sono tutti?! (Cadê todo mundo?!)
O colegas se entreolharam...
— Todo mundo quem? estamos aqui.
— Extraterrestri, chi altri se non loro?! (Os extraterrestres, quem mais?!)
— Fala baixo...
—Devem estar transando por aí... ou vendo tevê.
— Ou abduzindo lixeiras nas ruas.
— E perché non si è ancora presentato nessuno? (E por que ninguém apareceu ainda?)
— Por que deveriam? Vai ver são muito tímidos.
— Ou voyeurs.
— A quanto pare dovremo aspettare ad aeternum. (Pelo jeito, vamos ficar esperando ad aeternum.)
— Qual o problema em esperar, ou em deixar quieto?
— Não seria melhor a gente procurá-los?
— Onde? Podem estar em qualquer lugar, inclusive aqui ao lado.
— Melhor esperar que cresçam e apareçam.
— Se a gente não ficar esperando, talvez eles apareçam e não nos encontrem.
— E se a gente se dividisse? uns vão procurar, outros esperam.
— Será que não estão só nos espiando, com receio dalguma coisa, ou mal-intencionados?
— Ou infiltrados, tipo os húngaros...
— Ou são perceptíveis apenas se o observador tomar LSD ou for hipnotizado...
— Ou se estiver numa sessão espírita...
— Eureca! pelas barbelas da Madona, como não pensamos nisso antes?!
— Vamos agendar!
— Sim, as três coisas ao mesmo tempo!
— Perfeito, vão ter de dar as caras e romper o grande silêncio...
— Minha tia-avó vai adorar!
— Va bene, sono d'accordo, ma... (Está bem, concordo, mas...)
Noite dessas passei delirando num semissono danado, como tantas outras intranquilas e maldormidas das quais despertei metamorfoseado num baratão. Limito-me a relatar a parte a ver com o leitmotiv deste bulogue.
Saturado de dívidas, campanhas medíocres, falta de caneco (sequer Gauchonga), contratações e renovações esdrúxulas, flertes com a Segundona, cagadas a torto e a direito, enfim, perigando soçobrar contra os escolhos mas sendo impelido no instante derradeiro a uma guinada providencial, qual seja, aderir à tendência dos clubes-empresa — a partir do bem-sucedido exemplo do Redbull Bregantinoa.k.a. Energético, que mês passado nos comprou o xófen Práxédis (pronúncia nordestina), quando deveria ter sido o contrário — calhou de o Clube do Povo ser vendido à Fanta (pertencente à Cueca-Cuela Company), que aliás tem uma história fantastisch, com origem no Terceiro Reich graças à Phantasie/Fantasie* que rolava na incrível fábrica de refrigerante, logo se tornando a bebida predileta do Führer (podia faltar qualquer coisa no Bunker, menos ela); finda a guerra, os ianques (com seus tanques) tomaram posse da marca e, nas décadas subsequentes, foram emplacando diversas versões mundo afora —Heil, Fanta!
Protótipo do lôgo a ser estampado na frente do manto 1.
Protótipo do lôgo a ser estampado na frente do manto 2.
A essa altura, já estava eleito o sabor do refri: Laranja, do qual Pindorama é o maior mercado mundial. O próximo passo foi repaginar escudo e uniforme. Surgiram quanto às cores duas ideias, em princípio simples: botar laranja no lugar ou do branco, ou do vermelho — esta opção com a vantagem de deixar bem leve o visual se comparada àquela, além de remeter à “laranja mecânica” e seu carrossel (tipo o lôgo do Blogger, laranja sobre branco), bem como ilustrar melhor o produto. Contudo, branco com laranja (alviflâmeo, alvilúteo) modificaria deveras a identidade do Inter, não mais lhe cabendo o epíteto “Colorado” (quem sabe num terceiro uniforme). Em contrapartida, a despeito de nos livrarmos do indefectível “branco-sujo”, vermelho com laranja (rubrolúteo, luteirrubro) ficaria meio carregado, como a nossa Camisa 3 Adidas 20/21 (promo -60%) com que pretenderam homenagear o poente do Guaibão (talvez ela tenha desagradado a torcida antes por ser listrada do que pela combinação), ou nem tanto, como o Shorts 3 Internacional 20/21.
A curiosa história da Fanta
Adveio então uma terceira via, que se poderia dizer dialética: o amarelo-fanta no lugar do branco! Quem se apressou a objetar que a cor em apreço é o laranja, em consonância com o sabor (ambos com função sinestésica, i.e. cor e nome da cor ajudando na percepção do gosto como sendo o do próprio suco da fruta, só que melhor porquanto frisante etc.), ouviu como tréplica serem o vermelho e o amarelo cores primárias de cuja mistura — todo mundo o sabe desde a creche — obtemos o laranja! Desconheço clubes com essas duas cores (achei o Syrianska FC, clube sueco fundado em 1977 por refugiados arameus/siríacos e que, pelo visto, tem a Adidas como fornecedora — apesar de na página oficial o ex-treineiro estar vestindo Nike). De qualquer modo, o amarelo — e mesmo o amarelo com vermelho — não deixa de ser familiar à torcida colorada: outrora, por ocasião do centenário, tivemos a camisola Reebok dourada (maionese radiativa); depois a Internacional III 2014 Nike (amarelo-canário), comemorativa da Copa do Mundo; agora temos a Treino 21/22 Adidas (amarelo-enxofre), o Moletom Treino (idem) e a Goleiro Internacional II 21/22 (amarelo-pintinho mesclado).
Colorado: de alvirrubro a flavirrubro.
Ademais, se considerarmos semioticamente a cor do relvado na composição, estaremos diante da bandeira do Rio Grande do Sul, ao passo que, se nos limitarmos às cores do recém-nascido clube-empresa, aludiremos ao cartão vermelho e o amarelo. Ou seja, tudo a ver com tudo!
Quanto ao escudo, basta trocar o I por F (além do branco por amarelo) — minhas habilidades em design se resumem ao Paint, por isso vou ficar devendo a figura.
Se quiser continuar sendo mascote, o Saci terá de dançar conforme a música... (Tequila Sunrise na veia!)
Como a grana pra reforços deixou de ser problema, poderemos bancar reforços de peso; e.g. realizando o sonho dalgumas saudosas viúvas ao comprar de volta o Zyklops (aglutinação de Nico Lopes + síncope do e → Niclops; N girado no sentido horário → Z;i → y; c → k; pronúncia como Cyclops em inglês, porém com Z → “Záiclops”), mesmo saindo bem mais do que o preço de venda, pois ele se valorizou muito no endinheirado Tigres após sofrer mutação enquanto sua equipa disputava o Mundial no Catar, mutação essa que não apenas o deixou com um zoião em vez de dois zoinho, mas que também lhe alterou o nome de batismo (por acaso hoje, dias depois de eu ter escrevinhado essas linhas, me deparei com a notícia de que o Ajax estaria interessado no atacante dentuço).
Clube-emplesa não é pla quem tem o labo pleso!
Tal como ocorre com outros patrocinadores da dupla brenau, obrigados a agradar nestas bandas a gregos e troianos (e.g. a recente estreia da Americanas no mundo da bola), a Fanta decerto fechará também com o Gremo, na versão Uva (provável nome: Fantêmio).
Os grandes que se liguem porque, quando até o Íbis se assanha no mercado, não dá pra bobear!
NOTA: O título deste póstch vem do Ludopédio a.k.a. Noticioso Colorado: esses tempos o Sandroka's (a.k.a. Sandro Luís), em reação ao Skrotinho 2 (a.k.a. DeLeo a.k.a. Leozinho Derrota) disse-lhe “Para de tomar Fanta”, a seguir isso virou galhofa pelo Djamarro com “Larga a Fanta” etc., também o Reinato Rolim et alii, e eu daí entrei na onda. Me dei ao trabalho de fazer uns prints, mas a definição ficou ruim (igual poluiria o visual). As principais bostagens são as seguintes (Ctrl F Fanta): https://noticiosocolorado.blogspot.com/2021/05/libertadores-2021-olimpia-par-x.html https://noticiosocolorado.blogspot.com/2021/05/cabra-2021-internacional-x-sport-30-05.html https://noticiosocolorado.blogspot.com/2021/06/internacional-x-ceara-varzileirao-5.html
O referido é verdade e dou fé.
Henze sapiens saciensis
Wintergatan - Marble Machine (music instrument using 2000 marbles)
P. S. [10/7/21]: segundo informes confidenciais, não foram satisfatórias as primeiras tentativas de adaptar o escudo do clube, i.e. apenas trocar o I pelo F, entrelaçando-o com o S e o C; por sua vez, a empresa acenou com uma remodelação total, algo que expresse melhor a parceria, cf. imagem infra.